segunda-feira, 29 de março de 2010

Partido Mandelista ou Partido Leninista? - Nahuel Moreno

Texto de Nahuel Moreno extraído do livro O partido e a revolução


O NOVO CARÁTER DE NOSSOS PARTIDOS

Acreditamos que a origem das divergências que temos com a maioria em todos os terrenos — teórico, programático, estratégico e tático — encontra-se numa diferença fundamental: a que mantemos em relação ao método de construção de nossas seções.

Os companheiros da maioria, entre os quais se destacam Mandel e Ger­main com seus trabalhos teóricos, propõem uma série de definições e tarefas que pretendem mudar as normas leninistas de construção do partido. Para eles, o setor essencial sobre o qual deveremos dirigir nossa propaganda e agitação e que define os traços fundamentais de nossa política é a "vanguarda de massas", que existiria em todo o mundo. Essas afirmações transformam-se em um verdadeiro principio.

Para assegurarmos o êxito de nossa estratégia, que consistiria em ga­nhar a hegemonia dentro da vanguarda, deveríamos empregar duas táticas: 1) realizar campanhas políticas cujos eixos fossem definidos a partir das inquietações da vanguarda, com a condição de que tais inquietações não se oponham á luta de massas; 2) concentrarmo-nos o máximo possível para tornar conhecidas as ações "exemplares" da vanguarda".

Uma vez que tenhamos ganhado essa vanguarda de massas, utilizararemo-na para duas tarefas. A primeira seria ajudar os operários avançados dos sindicatos a lutar contra a burocracia; a segunda, fazer propaganda e agitar entre esses operários a necessidade de que se organizem em comitês de fábrica e órgãos dc duplo poder, para estarem preparados para qualquer onda futura de lutas massivas generalizadas.

Para completar esse esquema, Mandel promove essa concepção, que a princípio aparecia como específica da atual etapa, para o terreno geral. Já não é somente a função de nossos partidos nessa etapa e numa região, mas de seu caráter em todo o mundo e em toda a história. Além de se opor a concepção de construção do partido, a concepção de Mandel não serve para nada: sequer para ganhar a vanguarda. Serviria no máximo para sermo ganhos pela vanguarda para suas ações "exemplares".

Para os bolcheviques, as coisas são diferentes: o partido revolucionário tem de ganhar a hegemonia na classe operária e no movimento de massas. Isso se consegue trabalhando sobre eles, propondo-lhes que assumam a política que propomos. Somente quando isso ocorre é possível derrotar a burocracia; somente desse modo o partido ganha seu direito histórico de ser considerado um partido revolucionário, vanguarda da classe operária na luta contra o capitalismo.


O QUE É VANGUARDA?

Pela forma como estão colocadas as coisas, é evidente que o ponto de partida desta discussão é uma definição precisa de vanguarda, de que papel cumpre e de quais são suas relações com o partido bolchevique. No trabalho que citamos anteriormente, Mandel, adiantando-se á conclusão do documen­to europeu, tentou apresentar uma interpretação teórica sobre o novo papel do partido bolchevique e da vanguarda. No quadro em que resume toda a sua concepção, assinala que há três segmentos fundamentais na formação da consciência de classe: as massas, que avançam da ação para a experiência e daí para a consciência; os operários avançados, que caminham da experiência à consciência e da consciência para a ação; e o núcleo revolucionário, que da consciência vai à ação e daí para a experiência.


massas: ação > experiência > consciência

operários avançados: experiência > consciência > ação

núcleo revolucionário: consciência > ação > experiência


Em seguida, Mandel diz que, invertendo este esquema, obtém-se "a seguinte imagem" (?) da qual se pode tirar "conclusões práticas" (?). Eis a imagem reveladora:


massas: ação > experiência > consciência

núcleo revolucionário: consciência > ação > experiência

operários avançados: experiência > consciência > ação

Primeiro deteremo-nos na questão dos três setores: as massas, os ope­rários avançados (vanguarda) e o partido.

No marxismo utilizado por Marx existem estruturas (as classes) e superestruturas (as ideologias e as instituições). As massas estão na estrutura e o partido revolucionário na superestrutura. A classe operária, as massas e a sociedade em seu conjunto possuem superestruturas que são de dois tipos: objetivas e subjetivas. As objetivas são as instituições e as subjetivas são as ideologias e as consciências. Um sindicato, um jornal operário, um partido, uma publicação nacionalista são superestruturas institucionais subjetivas, da classe ou do movimento de massas. Os partidos comunistas e socialistas também. A consciência sindicalista e a reformista fazem parte da superestruta ideológica, subjetiva, da classe operária. Como são ideologias burguesas, são "falsas consciências" operárias. A ideologia trotskista é a "consciência verdadeira" da classe operária e faz parte da superestrutura ideológica ou subjetiva. O partido trotskista é a expressão objetiva desta ideologia e, portanto faz parte da superestrutura da classe operária. Na luta para ganhar a classe operária e o movimento de massas, todas essas instituições e ideologias combatem umas ás outras encarniçadamente. Isso é muito claro.

Resumindo, vemos que existem dois segmentos fundamentais: a estrutura e a superestrutura. Ou, dito de outra forma, as classes, por um lado, e as instituições e ideologias, por outro. Mandel, que fala de três, parte de um fato real, evidente: existe urna numerosa vanguarda. Porém, com nosso esquema, não temos onde localizá-la. Não é uma classe nem uma instituição. É necessário então revisar o marxismo? Quer dizer, existe uma terceira categoria? A vanguarda se localiza na estrutura, junto à classe operária e movimento de massas? Ou se localiza na superestrutura, junto do partido?

Todo o trabalho teórico de Mandel debate-se com esse problema insolúvel. Consciente de que necessita de uma definição que justifique plenamente o descobrimento dessa terceira "categoria", ele diz:

"A categoria do operário avançado parte da estratificação objetiva inevitável da classe. É um resultado de sua origem histórica distinta, assim como da diferente posição no processo social de produção e de sua diferente consciência de classe."

Essa definição, no entanto, não soluciona nenhum problema. Se o elemento decisivo é a "estratificação objetiva" da classe, a vanguarda faz parte dela. Vale lembrar: da estrutura. E se a definição decorre da "diferente posições no processo social de produção", significará que, ainda que continue sendo parte da estrutura, é outra classe. Finalmente, se definirmos a vanguarda por sua "diferente consciência de classe", ela fará parte, junto com as demais consciências, da superestrutura.

Essa contradição agrava-se quando Mandel descreve o "operário avan­çado" (ou vanguarda). Acontece que essa nova categoria tem uma "essência" francamente surpreendente. É

"...aquela parte da classe trabalhadora que já se encontra envolvida num grau mais alto que as lutas esporádicas e que já alcançou o primeiro nivel de or­ganização e o que a distingue das massas é o fato de que nem durante o período de calmaria abandona a frente da luta de classes, continuando o combate, agora, por assim dizer, com "outros meios". [...] Tenta transformar os órgãos de resistência formados durante a luta em órgãos de resistência permanentes, isto é, em sindicatos. Publicando jornais operários e organizando grupos de educação, tende a cristalizar e elevar a consciência de classe criada durante a luta. Portanto, ajuda a dar forma ao fator continuidade, opondo- se à necessária descontinuidade na ação das massas, e ao fator consciência, opondo-se à espontaneidade que possui o movimento de massas."

Que tem a ver tudo isso com as "origens históricas diversas", as "dife­rentes posições no processo social de produção" e a "estratificação de classe"? Um militante sindical do setor mineiro inglês cumpre parte dos requisitos que pede Mandel para ser considerado "operário avançado": "alcançou o pri­meiro nível de organização", "não abandona a frente da luta de classes" nos "períodos de calmaria", "publica jornais", "tende a cristalizar e a elevar a cons­ciência", "opõe-se á espontaneidade" e "ajuda" o "fator continuidade". Porém, não cumpre os outros requisitos: não tem uma "origem histórica distinta" da que possuem os mineiros ingleses, não faz parte de nenhuma "estratificação de classe", nem ocupa uma "diferente posição no processo de produção".

Inversamente, os técnicos proletarizados da indústria automobilística nor­te-americana, que, sim, cumprem esses três últimos requisitos — têm origem histórica diversa da que possui a classe operária dos Estados Unidos, ocupam, relativamente, um papel distinto na produção social e estão particularmente estratificados dentro da classe operaria—, não cumprem os outros, pelo menos em Detroit, onde a vanguarda indiscutível (os "operários avançados") foram os operários negros, que quase fizeram uma insurreição há poucos anos. Atual­mente, ocorre o mesmo com os operários imigrantes da Renault francesa.

Mandel não tem como escapar dessa contradição. Mistura o quantitativo com o qualitativo de forma inexplicável. Se a definição é quantitativa, vanguarda são os operários "mais conscientes", os "mais lutadores", "mais inteligentes" da classe operária. Ou seja, fazem parte de uma estrutra (a classe operária) onde se diferenciam do resto de seus companheiros por serem "mais" em alguma coisa. Se a definição e qualitativa, isto é, os que "continuam o combate", os que "publicam jornais", os que "alcançaram um primeiro nível de organização", então, a vanguarda localiza-se na superestrutura. A contradição é de ferro e não se pode sair dela por mais que se queira formular uma definição diferente. Confirma-se assim o marxismo, que existirem somente duas categorias, e não três.

Como, então, definir a vanguarda? Se quisessemos fazê-lo com a ajuda da lógica dialetica, diríamos que a vanguarda é um fenômeno, não um existente (um ser); quer dizer, diferente das classes e superestruturas, a vanguarda não tem uma existência permanente durante toda uma época. Na luta, os setores que estão á frente são vanguarda. É um termo relativo. Seu próprio nome indica que existe uma retaguarda. Nesse sentido geral, o partido é vanguarda da classe operária; a classe operária é vanguarda de toda a sociedade. Vamos a exemplo concretos: na França de 1936, o movimento operário foi a vanguarda; porém em1968, foi o movimento estudantil. Na Argentina, de 1955 ate 1966, foram os operários metalúrgicos; em 1968, os estudantes. No Peru, sob a ditadura de Hugo Blanco, os camponeses foram a vanguarda; durante a presidência de Velasco Alvarado, foram os professores.

Não é casual que Germain, contradizendo de certo modo suas próprias definições, refira-se somente a vanguarda operária, porque é nela que se faz mais evidente que vanguarda não se define por estratificações, nem por níveis de consciência e de organização, mas pelo papel que cumpre em determinada luta. O caráter de fenômeno pode se manifestar inclusive no transcurso de uma mesma luta: no começo do Cordobazo, o papel mais avançado foi cumprido pelos estudantes, depois pelo movimento operário, e, dentro deste, pelo sindicato da indústria automobilística. Nas lutas do proietariado francês depois da Revolução russa, houve uma vanguarda, como Thorez e Marty, que, depois, em 1936, encontrava-se na retaguarda.

Podemos dizer que cada ascenso ou luta tem sua vanguarda: existiu a dos IWW e a do PS estadunidense e também a que dirigiu as lutas da CIO; da primeira surge Cannon, da segunda Farrel Dobas; da estudantil de 1968 surge Krivine, Dutschke e Cohn Bendit; das nacionalidades opri­midas, Malcolm X.

Recapitulando, podemos dizer que a vanguarda é própria de cada luta, que, numa mesma luta, diferentes grupos podem alternar-se nesse papel; que um que hoje é vanguarda amanhã não só poderá deixar de sê-lo como pode, até, converter-se em retaguarda. O destino da vanguarda é ser ab­sorvida pela classe ou ser assimilada pela superestrutura. Por exemplo, se alguma delas torna permanente sua atividade, criando uma ideologia e cons­truindo uma organização, passa a fazer parte da superestrutura. As vezes a vanguarda é absorvida por um partido ou organização de massa. Thorez transformou-se em stalinista, Reuther virou burocrata, tal como Lechin na Bolívia e Vandor na Argentina; Cohn Bendit dedicou-se ao cinema e Kri­vine a construir o partido trotskista na França. Outros grandes setores da vanguarda, ao abandonarem a luta, voltam a confundir-se com sua classe e com ela seguem na estrutura.

Ao tentar aprisionar a vanguarda em uma "categoria", em vez de defi­ni-la, o esquema de Germain faz com que o conceito se perca para a nossa compreensão. Ao ignorar os aspectos desigualmente desenvolvidos que se combinam para dar lugar a esse fenômeno, revisa completamente o materia­lismo histórico. Esse não é porém, o único defeito de sua invenção.


ONDE ENTRAM AS ORGANIZAÇÕES REFORMISTAS?

Germain não sabe. E efetivamente esse é outro erro, muito mais grave que o anterior. Parece que, para Mandel e Germain, as organizações socialdemocratas não têm nada a ver com o partido revolucionário. Mais que isso, parece que não existem. Isso se deve a que Mandel-Germain acredita que nossa luta fundamental é contra a falsa e atrasada consciência da classe: operária e das massas, o que é correto somente no sentido geral. Porque a falsa consciência não é formada simplesmente pelas ideias incorretas que a maioria dos indivíduos membros da classe operária ou do movimento de massas têm em sua cabeça. A falsa consciência expressa-se em instituições fortíssimas, objetivas — as grandes organizações reformistas. Elas captam e organizam os trabalhadores, educam-nos nessa falsa consciência, imprimem jornais para torná-la conhecida, empregam métodos burocráticos próprios dos gângsteres para defendê-la. Nossa luta contra essas falsas conciências não é uma intervenção cirúrgica nem uma seção de psicanálise para extrair da mente de cada operário as ideias equivocadas. É uma luta de morte contra as organizações que as mantêm, contra a sua ideologia, contra os seus métodos e, fundamentalmente, contra a sua política.

Podemos ignorar essas organizações ao elaborar um esquema da relação de nossos partidos com o movimento operário e sua vanguarda? Existe realmente essa relação pura "partido-vanguarda-massas"? De jeito nenhum: nossa relação com a classe operária é uma relação de superestrutura revolucionária com estrutura de classe. E a vanguarda não é o único mediador, porque entre nós e a classe operária estão outras superestruturas, os partidos operários, os sindicatos e outros organismos da classe, que geralmente são reformistas, às vezes ultra-esquerdistas. Isso vale também para nossa relação com o movimento de massas. Por isso, nossos partidos não podem traçar uma política para a classe operária e para ganhar a sua vanguarda sem traçar uma política para os sindicatos, os partidos comunistas, os socialdemocratas os comitês de fábrica. Não dizendo somente que não se pode ignorar as organizações reformistas e burocráticas, como tambem que temos de destruí-las. Trotsky disse:

"A classe em si não é homogênea. Seus diferentes setores adquirem consciência por vias distintas e com ritmos distintos. A burguesia participa ativamente desse processo. Cria seus próprios organismos dentro do movimento dos trabalhadores ou utiliza os já existentes opondo uns setores operários aos outros. No seio do proletariado atuam diferentes partidos."

Mandel-Germain foram levados por suas tendências subjetivista e fenomenológicas a esquecer que um dos nossos principais objetivos, senão o principal, é varrer as direções e partidos oportunistas da direção do movimento operário. Como não vê esse obstáculo para o desenvolvimento da consciência de classe, que são os partidos contra-revolucionários, descobre algo assombroso:

"o que hoje atrapalha a classe operária [no processo de] adquirir urna consciência política de classe é, sobretudo, a influência constante do consumo e da mistificação ideológica da pequena-burguesia e da burguesia. E [é por isso que, para Mandel-Germain,] o processo de abrir os olhos para a ciência social critica pode jogar um verdadeiro papel revolucionário no novo despertar da consciência de classe entre as massas.

Quer dizer, então, que a nossa principal luta é contra a "influência constante do consumo e da mistificação ideológica da pequena burguesia"? Deve­mos abandonar a luta que sempre travamos contra as direções traidoras e re­formistas do movimento de massas? Esse é o melhor caminho para as massas atingirem a consciência de classe? Nós, arqueotrotskistas, vamos continuar no nosso caminho. Mais que isso: para combater essas direções, em lugar de abrir mais os olhos "para a ciência social crítica", vamos usar uma política, a política trotskista, contra a stalinista e a socialdemocrata.


A VERDADEIRA RELAÇÃO ENTRE AÇÃO, EXPERIÊNCIA E CONSCIÊNCIA

Segundo o esquema mandelista, as massas, a vanguarda e o partido percorrem diferentes e difíceis caminhos para chegar à consciência, á ação ou à experiência.

Desse esquema, já eliminamos a vanguarda, uma vez que se trata de fenômeno, seu desenvolvimento não pode seguir nenhuma seqüência previ­sivel. Só falta acrescentar que, enquanto cumpre papel de vanguarda, qual­quer setor obedece, nesse período, às mesmas leis de desenvolvimento que o próprio movimento de massas e o partido obedecem, ainda que de forma contraditória. Para os marxistas, "o espontâneo é a forma embrionária do consciente". Ou seja, ação, experiência e consciência são partes de uma tota­lidade que se dá em todos os níveis, desde o partido até as massas. O elemen­to determinante dessa totalidade são as ações do movimento de massas.

Não vemos por nenhum lado essa ação sem consciência que Mandel atribui à classe operária e às massas. Ao contrário, acreditamos que não exis­te nenhuma ação sem consciência prévia. O regime capitalista e imperialis­ta, com suas infâmias, provoca mudanças na consciência das massas (ódio, repúdio, indignação etc), que são prévias a todas as ações. Se existisse uma seqüência, diríamos que é a seguinte: a realidade objetiva da sociedade bur­guesa causa impacto na consciência das massas e isso desencadeia suas ações. Porém, essa realidade objetiva causa impacto através de uma experiência — a de sofrer a exploração. Por exemplo: o patrão explora o operário (realidade objetiva do regime capitalista); este sofre a exploração (faz a experiência de ser explorado); sente desejos de mudar sua situação (chega à consciência de que deve lutar contra o patrão); lança-se à luta (passa para a ação).

De qualquer modo, essa seqüência não é nada mais que um esquema, porque o operário contemporâneo, por exemplo, antes de sair à luta, vai ao sindicato; isso é, sua experiência não parte do zero, já que se apóia na experiência das camadas anteriores de operários; não necessita nem repetir exatamente o caminho dos antecessores nem reinventar o sindicato em cada luta. já sabe até certo ponto o que é uma greve, uma ocupação, uma mani­festação, um abaixo-assinado e é consciente dessa experiência.

Mandel poderia dizer agora que a classe operária só aprende através de suas ações. Isso é certo, mas não contradiz o anterior: não quer dizer que a classe operária efetue ações sem consciência. Nas ações do movimento de massas, encadeiam-se distintos níveis de consciência e experiência. Cada ação tem sempre como ponto de partida um determinado nível, que desem­bocará em outro superior, que por sua vez será ponto de partida de novas ações.

Dentro da consciência da classe operária e das massas exploradas, há uma luta entre concepções falsas e verdadeiras. Um operário socialdemocra­ta, por exemplo, odeia o fascismo, o considera seu pior inimigo e quer a uni­dade operária para lutar contra ele, mas ao mesmo tempo confia em sua di­reção burocrática e reformista. Em relação ao fascismo, tem uma consciência verdadeira; em relação à sua direção e, por conseguinte, em relação à forma de lutar contra o inimigo, uma falsa. Aqui, como em todo conhecimento, e papel da prática é decisivo. Somente a prática pode consolidar sua consciência de classe e atacar a sua falsa consciência; somente a prática poderá permitir-lhe superar o falso e afirmar o verdadeiro, para chegar a um novo nível de consciência, que terá novas contradições, sempre superáveis através de novas ações. Dizer, porém, que a prática é o fator determinante no caminho da consciência de classe, não quer dizer que o caminho comece por ali.

Mandel poderia insistir em que, de qualquer maneira, estamos de acor­do com ele em que a ação é a única que leva à consciência de classe e que, portanto, nesse ponto não temos diferença. Não é certo. Temos duas divergências fundamentais. A primeira é que Mandel fala de um nível de consciên­cia desconhecido e nós da consciência de classe, que todos sabemos o que é. Para ele, cada setor chega a um diferente nível de consciência (a vanguarda, por exemplo, chega a uma consciência "empírica e pragmática") e somente o partido revolucionário chega á consciência de classe (que, para Mandel, é cientifica e não política). A segunda diferença é que para nós a consciência de classe se alcança justamente através de um fator superestrutural, o partido revolucionário, e não através de meras ações e experiências do movimento operário.

As massas não chegam automaticamente à consciência de classe, à consciência universal e histórica. Podemos dizer que o movimento de massas aproxima-se dela assintoticamente, isso é, em cada etapa está mais próximo dela, porém, nunca a alcança por seus próprios meios. O partido é o único que pode fazer com que essas duas linhas, cada vez mais próximas uma da outra, deixem de ser assíntotas; que o movimento de massas confunda-se com a consciência política de classe.

A concepção mandelista é a posição típica dos intelectuais anticonfor­mistas, existencialistas e fenomenólogos europeus do pós IIª Guerra, dos quais Sartre é um clássico expoente. Significa a negação do Homem e, neste caso, do caráter humano do movimento de massas e da classe operária, por­que o Homem diferencia-se dos animais por ser consciente, em diferentes graus, de suas ações.

O partido cumpre as mesmas leis que o movimento de massas, todavia num nível qualitativamente superior. A consciência do partido revolucionário não é mais que a experiência histórica do movimento operário e de mas­sas. Em vez de partir de uma consciência e experiência parciais e limitadas, o partido parte da consciência e experiência históricas e universais. Para extrai-las, utiliza uma série de ciências combinadas em uma - o marxismo-, as eleva á consciência histórica, universal e abstrata e as transforma em um programa político marxista.


CONCIÊNCIA CIENTÍFICA OU POLÍTICA?

Para Mandel,
"...a categoria de partido revolucionário surge do fato de que o socialismo marxista é uma ciência que, em última análise, só pode ser assimilada com­pletamente de forma individual e não de maneira coletiva.
[ E isso acontece porque] o marxismo constitui a culminação [...] de pelo menos três ciências sociais: a filosofia clássica alemã, a economia política clássica e a ciência po­lítica clássica francesa (o socialismo e a historiografia francesas) e sua assi­milação pressupõe, pelo menos, um entendimento da dialética materialista, do materialismo histórico, da teoria econômica marxista e da história critica das revoluções e do movimento operário moderno."

Isto quer dizer que elevar a consciência de classe é chegar à compreensão teórica, cientifica e global do marxismo como ciência; manejar a dialética, a sociologia, a economia e a história marxistas. Por isso só poderia ser assi­milada "de forma individual e não coletiva". Por isso, só uma ínfima minoria cientifica pode chegar a ela. É a concepção mais derrotista que se poderia imaginar. Na realidade, é uma tarefa impossível para o movimento operário realizar. Se pretendemos expulsar da consciência dos trabalhadores todo o lixo ideológico acumulado pela burguesia e pela burocracia e substitui-lo pela "ciência marxista" — a "ciência social crítica"—, não devemos construir um partido, mas pedir ao imperialismo que nos financie a construção de uma universidade com capacidade para centenas de milhões de trabalhadores de todo o mundo, com balsas de estudo para que todos possam frequenta-la. Como Mandel vê que isso é impossível, conforma-se em dizer que somente uma pequena minoria de indivíduos pode elevar-se á consciência de classe.

Isso lhe cria um problema: que fazer com essas massas que são incapazes de adquirir a consciência de classe? Mandel-Germain "resolve" esse problema liquidando o partido como partido político revolucionário e dando grande importância, em seu lugar, a um setor social especifico, a "intelectualidade técnica". Ela teria, segundo ele, "a possibilidade de participação massiva den­tro do processo revolucionário e na reorganização da sociedade", que levará aos "extratos desesperados e críticos da classe operária o que eles não podem realizar, devido ao estado fragmentado de sua consciência: o conhecimento e

a consciência que lhes possibilitará reconhecer a verdadeira face da escandalosamente velada exploração e da opressão disfarçada a que são submetidos". Ou seja: essa intelectualidade, que se transforma em revolucionária como setor social, não como parte da militância partidária, tem em suas mãos a tarefa de despertar a consciência da classe. A principal tarefa do partido re­volucionário, já que a fundamental ficou nas mãos da intelectualidade, será assessorar teoricamente essa intelectualidade técnica, dando-lhes cursos de "ciência social crítica" mandelista. Assim, o papel dessa "ciência social crítica" é decretar a morte do partido bolchevique. Com isso, Mandel, entre outras coisas, dá fundamento a uma acusação que a burguesia faz permanen­temente ao movimento de massas revolucionário: que é uma massa incons­ciente arrastada e enganada por um punhado de agitadores que escondem seus fins políticos.

Para Mandel, a classe operária não pode reproduzir de forma massiva nenhum conhecimento, o que equivale a dizer que a sociedade em seu conjunto não avança no conhecimento. Ele acredita que, assim como só os indivíduos assimilam o socialismo científico, somente os indivíduos são ca­pazes de assimilar e reproduzir os conhecimentos acumulados pela Huma­nidade desde a pré-história até os nossos dias. O que está fazendo Mandel é confundir a parte concreta dos conhecimentos (isso é, os resultados) com sua elaboração. Porém, a sociedade (ou a classe operária, ou qualquer ostro setor dela) avança incorporando os resultados científicos, não os métodos de investigação que levaram a esses resultados. Negar isso seria o mesmo que dizer que um indivíduo que não estudou medicina e farmacologia não saberá utilizar a aspirina. No entanto, há muitos anos a Humanidade faz uso dela para livrar-se da dor de cabeça, com bons resultados.

O que Mandel faz é criar dois tipos de consciência: a de vanguardas que é "empírica" e "pragmática", e a consciência de classe, que é "científica global", ou seja, a da "compreensão teórica". Isso significa que a cons­ciência política, o programa, não existe nessa moderna fenomenologia da classe operária. Para Mandel, o fato de o operário estar ou não de acordo com o programa do partido revolucionário não tem relação com seu nível de consciência; não significa que tenha se elevado a consciência de classe. Para Trotsky, por outro lado,

"...não se pode formular os interesses de classe de outro modo que não seja por meio de um programa, como tampouco se pode defender um programa sem criar um partido. [...]A classe, tomada em si, não é mais que terreno para exploração. O papel do proletariado começa no momento em que de classe social em si passa a classe política para si. Só é possível conseguir isso por meio de um partido. O partido é essa ferramenta histórica com a qual a classe adquire consciência [...]. O desenvolvimento da consciência de classe, isso é, a cons­trução dc um partido revolucionário que arraste atrás de si o proletariado, é um processo complicado e contraditório."



Como vemos, para Trostsky, "o desenvolvimento da consciência de classe" é um processo objetivo. A categoria de partido revolucionário surge do fato de que o marxismo, como partido, é um programa. Imaginemos um partido integrado por grandes intelectuais que lidam perfeitamente com os aspectos científicos do marxismo, mas que não se preocupam em formular um programa politico, nem em trabalhar com ele sobre o movimento de massas. Esse é um partido revolucionário? Não. Um partido revolucionário é, evidentemente, aquele no qual alguns companheiros entendem a fundo o marxismo e colaboram com a imensa maioria de trabalhadores que militam nesse partido para formular um programa correto e levá-lo á prática.

Entre o programa do partido e a ciência marxista há uma relação dialética: sem teoria (ciência) marxista não se pode elaborar um programa re­volucionário. Tambem há uma relação dialética entre esse programa e as ações das massas: se não parte das ações das massas, o programa não pode ser revolucionário. E tambem há uma relação dialética com a atividade do partido: sem um partido que o leve á prática, nenhum programa é, por si ,mesmo, revolucionário.

Todos esses elementos confluem para alcançar essa realidade concreta que é o partido revolucionário com seu programa. E esse partido é "o mais alto grau de desenvolvimento da consciência de classe proletária", como diria Mandel.

Por isso dissemos que ao superestimar uma parte essencial do partido revolucionário — a ciência a marxista—, cai em um desvio cientificista intelectual sobre o papel do o artido e da consciência de classe. A consciênciaa dee classe é a transformação da "classe social em si" para "classe política para si", segundo Trotsky. Para Mandel, seguindo seu raciocínio, a consciência de classe deveria ser a transformação da classe operária em consciência cientifica e não em consciência política, como para Trotsky. E isso e uma barbaridade.

Basta que setores da classe operária apóiem politicamente o partido marxista para que se elevem á consciência de classe. Basta que indivíduos ou setores da classe incorporem-se ao partido e aceitem seu programa e estatutos para que sejam a máxima expressão da consciência de classe. Isso é assim ainda que as massas que apóiam politicamente o partido e os indivíduos ou setores que se incorporam a ele, aceitando seus estatutos e programa, não saibam uma só palavra de filosofia, economia ou sociologia marxista, ou seja, que não tenham assimilado "completamente" o marxismo como "ciências". Esse é o critério clássico, de Lenin e Trotsky. Como vemos, muito menos exigente que o de Mandel.

A consciência de classe significa que os operários saibam que a socie­dade sofre de um câncer, o regime capitalista e imperialista, e que o único remédio para esse cancer é o nosso programa e o nosso partido. Esse conhecimento, como assinalava Trotsky, pode e deve ser adquirido de forma massiva, e não individual, pelo movimento operário de massas. O movimento operário e de massas adquire esse conhecimento confrontando, no transcur­so de suas ações as diferentes políticas que lhe propõem os diversos partidos que existem em seu meio.

Se existe um partido revolucionário que dá a politica correta, isso é, a que responde aos interesses históricos e imediatos da classe operária em cada uma das lutas, o movimento operário e de massas o reconhecerá como seu partido e terá se elevado á consciência política de classe. Se esse partido não existe, o movimento não poderá fazê-lo. O papel do marxismo "como ciência" é transformar os interesses históricos e imediatos da classe operária em um programa de mobilização, ou seja: uma política para cada luta real do movimento de massas, que tende a dirigir essa luta em direção á tomada do poder. Para dessa maneira ganhar as massas para nosso programa e nosso partido, liquidando as suas direções traidoras e oportunistas.

[..]


NOSSO TRABALHO POLÍTICO SOBRE AS MASSAS E A VANGUARDA: PROPAGANDA E AGITAÇÃO

Pelo que dissemos até agora, pode parecer que opinamos que o partido deve ignorar a existência das vanguardas que surgem a cada momento da luta de classes e que não se pode propor a elas nenhuma atividade. Isso não é ver­dade. Reconhecemos que a vanguarda do movimento operário e do movi­mento de massas é um setor ao qual devemos dar importância e sobre o qual devemos trabalhar. O que dissemos ate agora é que essas vanguardas não são as que definem a política do partido nem suas palavras de ordem nem sua organização nem suas análises.

Há uma grande parcela da atividade do partido que está destinada à vanguarda: a propaganda. Assim definiu Lenin quando disse:

"Enquanto se tratava — e na medida em que ainda se trata — de ganhar para o comunismo a vanguarda do proletariado, a prioridade recaia e recai no trabalho de propaganda."

O problema é que para Mandel-Germain nosso trabalho sobre a vanguar­da deve ser muito mais ambicioso do que nos propunha Lenin. Trata-se de

"...campanhas políticas nacionais em torno dos problemas cuidadosamente escolhidos para coincidir com as inquietações (necessidades) da vanguarda, que não estejam contra a corrente da luta de massas e ofereçam a nossas seções a possibilidade de demonstrar capacidade de iniciativa efetiva, ainda que modesta. E concentrar sua propaganda e, onde seja possível, sua agi­tação, sobre a preparação desses operários avançados."


E o documento de Germain esclarece ainda mais essa posição. Segundo ele, o que foi planejado no IX Congresso
"...foi um giro em direção á transformação das organizações trotskistas de grupos de propaganda em organizações já capazes daquelas iniciativas politicas, em nível da vanguarda de massas, que são solicitadas pela dinâmica da própria luta de classes."

Para a maioria, deve-se tender à agitação e às ações ("iniciativas polí­ticas") "em nlvel da vanguarda de massas". Ainda que fosse correto que os esforços de nossas seções concentrassem-se na vanguarda, só o fato de pro­por agitação e ações sobre ela já entra em contradição com o leninismo ("a prioridade recai sobre o trabalho de propaganda").

Deveria ser amplamente conhecida a definição de propaganda como "a atividade de transmitir muitas ideias a poucos" e a de agitação como a de "transmitir poucas ideias a muitos". A propaganda vai de um curso de eco­nomia marxista ou de lógica dialética até uma palestra individual com um ativista operário, a quem explicaremos a situação nacional e internacional, nosso programa e as diferenças entre a nossa e as outras organizações operá­rias. A agitação, pelo contrário, consiste em ievantar umas poucas palavras de ordem (às vezes uma só) que dêem saída para a luta que trava cm cada mo­mento o movimento operário e de massas (aumento de salários, liberdades democráticas, assembléia constituinte, todo poder aos sovietes etc).

O que caracteriza um partido ieninista-trotskista é que sua atividade principal é a agitação sobre toda a população explorada, e não só sobre um setor dela, ainda que esse setor seja a classe operária. O que caracteriza o partido mandelista é que sua atividade principal é a agitação e as campanhas políticas principalmente sobre a vanguarda.


A ARTE DE ENCONTRAR A5 PALAVRAS DE ORDEM

Um partido bolchevique começa fazendo uma análise da etapa da luta de classes. Dessa análise surgem uma, duas ou três tarefas essenciais para o movimento de massas, que concretizamos em palavras de ordem. Esse é o aspecto concreto de nossa política, por isso, é o fundamental. A teoria e a propaganda servem para precisar esse aspecto. Toda a nossa atividade (incluindo a teoria e a propaganda) está subordinada a esse objetivo último: definir quais são as tarefas gerais que enfrentam as massas em uma etapa determinada, para traduzi-las em palavras de ordem.

Vejamos um exemplo: toma posse um novo governo. O esforço teórico do partido concentrar-se-á em definir esse governo com precisão, em anali­sar cuidadosamente a relação de forças entre as classes, os setores que integram o novo governo e os que estão na oposição, a relação de ambos com o imperialismo, o papel que desempenham nele as forças armadas etc. Se daí se deduz, por exemplo, que é um governo bonapartista contra-revolucionário, definiremos umas poucas palavras de ordem agitativas que responderiam ás necessidades que esse governo coloca ao movimento de massas (defesa das conquistas econômicas, liberdades democráticas, defesa das organizações operárias). Constataremos, porém, que essa caracterízação e essas tarefas são distintas das que propõem as direções reformístas e burocráticas e a ultra-esquerda e que também se chocam com as tendências espontâneas da van­guarda. Isso exigirá que nossa propaganda gire ao redor da explicação cons­tante das características do regime, da polêmica com nossos inimigos ínter­nos ao movimento operário sobre essa caracterização e por que as tarefas que propomos ao movimento de massas são as corretas. Em síntese: nossa teoria estará voltada a descobrir quais palavras de ordem deveremos agitar; nossa propaganda, a explicar à vanguarda por que devemos agitar essas palavras de ordem e não outras. Isso não quer dizer que sejam nossas únicas atividades teóricas e propagandístícas, mas são as principais.

Esquematizando, podemos dizer que toda a ciência e arte trotskistas sintetizam-se na capacidade de elaborar as palavras de ordem adequadas para cada momento da luta de classes. Isso é o mesmo que dizia Lenin:

"Portanto, a atividade essencial de nosso partido, o palco de sua atividade deve consistir num trabalho que seja possível e necessário tanto nos períodos de explosões mais violentas como nos de calma absoluta, isto é, deve con­sistir em um trabalho de agitação política unificada para toda a Rússia, que ilumine todos os aspectos de vida e dirija-se às massas em geral."

Lenin baseia essa linha de denúncias políticas em uma confiança cega na capacidade de organização e de mobilização do operário atrasado ou do operário médio, e não na capacidade especial dos operários de vanguarda ou "avançados" Em relação ao movimento de massas, nunca se detém na van­guarda operária ou na necessidade de que o partido tome iniciativas próprias na ação, mas somente na organização de campanhas agitativas. Para Lenin, se causamos impacto nas massas com uma dessas campanhas, os operários são capazes de tudo. O papel do partido é iniciar essas campanhas, acompa­nhar e dirigir o movimento de massas. Por isso, criticava os intelectuais:

"...que não sabem ou não têm a possibilidade de ligar o trabalho revolucioná­rio ao movimento operário para formar um todo. [...] Devemos imputar a culpa a nós mesmos, em nosso atraso com respeito ao movimento de mas­sas, por não sabermos ainda organizar denúncias suficientemente amplas, sonoras, rápidas contra todas essas ignomínias [...], o operário mais atrasado compreenderá e sentirá [...] e, ao senti-lo, ele mesmo vai querer reagir, e vai querer com um desejo irresistível, e saberá então organizar uma bata­lha contra os censores, participar amanhã de uma manifestação em frente á casa do governador que tenha sufocado um levante camponês, dar depois de amanhã uma lição nos policiais de batina que desempenham a função de santa inquisição etc."

Já vimos como Trotsky recordava a Espanha (um país tão caro a Man­del-Germain que o usa como analogia para a atual situação européia):

"As forças de que dispomos são pequenas. Mas a vantagem de uma situ­ação revolucionária consiste em que um grupo, inclusive pouco numeroso, pode chegar a ser uma grande força num curto espaço de tempo, com a con­dição de que saiba formular prognósticos exatos e lançar a tempo as palavras de ordem corretas."

Trotsky resume sua posição dizendo:

"A agitação não é somente um meio de comunicar ás massas esta ou aquela palavra de ordem, de chamá-las à ação etc. Para o partido, a agitação também um meio de escutar as massas, de sondar seu de ânimo e seus pensamentos e, segundo os resutados, de tomar uma ou outra decisão prática."

E cansou-se de dizer a mesma coisa para os Estados Unidos:
"Quando iniciamos uma luta, não podemos estar certos da vitória. Apenas podemos dizer que nossas palavras de ordem ajustam-se á situação objetiva, e os melhores elementos compreenderão-na e os mais atrasados que não a compreendem não se oporão. O importante, quando o programa for aprovado definitivamente, é reco­nhecer as palavras de ordem muito bem e utilizá-las habilmente para que em cada parte do país todo mundo utilize as mesmas palavras de ordem ao mesmo tempo. Três mil podem dar a impressão de quizen ou cinquenta mil"

Um comentário:

Gabriel Fagundes disse...

Olá, tudo bem?
Gostaria de saber as referências dos textos das citações, vejo como importantes logo após o texto. Obrigado!